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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

HISTÓRIA DO CÃO DE GADO TRASNMONTANO

Ao longo dos séculos, as tribos errantes da Ásia, deslocaram-se de oriente para ocidente, estabelecendo novas tribos e rebanhos que eram acompanhados pelos mastins de guarda e protecção. Estes cães partindo de um tronco comum, adquiriram e mantiveram características próprias que hoje permitem diferencia-los de região para região. A história de todos os mastins de rebanhos europeus e ibéricos está assim interligada, sendo possível encontrar uma origem comum a todas as variantes raciais adaptadas localmente.

Cao de gado transmontano


Na Península Ibérica existem, há cerca de 4000 anos, tribos que assentavam na pastorícia a sua fonte de subsistência. Na defesa dos rebanhos contra outras tribos e predadores utilizavam cães de grande porte e valentia, trazidos da Ásia menor. As deslocações temporárias dos rebanhos na Península Ibérica (Transumância) conforme as estações do ano, levou à dispersão e ficção desses cães nas várias regiões, criando raças diferentes se as regiões eram distintas, bem delimitadas e isoladas por grandes rios ou montanhas inóspitas.

A origem do Cão de Gado Transmontano está ligada à origem dos restantes mastins portugueses, apresentando, até, algumas semelhanças com o Cão Serra da Estrela pelo curto e com o Rafeiro do Alentejo.

As regiões de Trás-os-Montes, Serra da Estrela e Alentejo são caracterizadas por um clima austero do tipo continental (nove meses de inverno e três de inferno). É natural que em climas semelhantes e em regiões próximas estes três tipos de mastins portugueses fossem evoluindo com características muito parecidas.

As diferenças morfológicas e funcionais das três raças devem-se ao tipo de relevo e à presença ou não de predadores (lobo) nas suas regiões. Em Trás-os-Montes e na Serra das Estrela fixaram-se cães de grande porte e valentes, com uma maior agilidade, leveza e desenvoltura, porque as acidentadas paisagens e o lobo assim o determinam, outros igualmente de grande porte e valentes, mais pesados e de forte presença estabeleceram-se no Alentejo.

Nas décadas de 70 e 80 devido á diminuição drástica do número de lobos e devido ao abandono da pastorícia de grande parte das gentes de Trás-os-Montes, que nesta altura migrava para o litoral do país ou para o estrangeiro á procura de melhores possibilidades de vida, o Cão de Gado Transmontano deixa de ser útil e cai no esquecimento ficando perto da extinção.


Da conservação do lobo ao reconhecimento de uma raça

Em Portugal o Lobo é considerado espécie em vias de extinção desde 1988. A partir dessa data o lobo deixa de ser perseguido e para a maioria dos transmontanos passa até a ser um símbolo da conservação da natureza.


A gestão e conservação de populações de lobo é sempre uma tarefa difícil, sobretudo quando estas existem em meios muito humanizados. Apesar de não atacar o homem, o lobo é um predador que gera conflitos essencialmente pelos ataques, mais ou menos regulares, que fazem a animais domésticos, produzindo estragos, por vezes, elevados. Reconhecendo que é impossível eliminar os lobos que causam prejuízos, Portugal, em 1990, desenvolve um mecanismo e visa resolver de forma eficaz os conflitos gerados pelo lobo. Este mecanismo baseia-se no pagamento, por parte das entidades estatais, dos prejuízos provocados pelo lobo. Este método trouxe os seus resultados, mas não era totalmente eficaz devido à demora de todo o processo.

Foi então que no decorrer de vários trabalhos realizados pelo Instituto da Conservação da Natureza (ICN) no nordeste de Trás-os-Montes, no âmbito da conservação do lobo, observou-se que a existência de cães de grande porte era bastante frequente em algumas zonas, e que estes estavam na origem da ausência ou diminuição de ataques a alguns rebanhos. Rebanhos contíguos a estes, e que não tinham destes cães eram frequentemente atacados.

cao de gado transmontano


Desta forma, em 1994, deu-se inicio ao programa que levou ao reconhecimento da raça Cão de Gado Transmontano. Numa primeira fase foi feito um levantamento dos cães existentes e das cadelas que poderiam fornecer ninhadas. De seguida fez-se o levantamento dos proprietários interessados em ter cães deste tipo nos seus rebanhos, elaborando uma lista de espera. Embora o Programa Cão de Gado Transmontano tenha sofrido várias melhorias, este processou-se, mais ou menos desde o inicio, da seguinte forma. Nos primeiros dias o pastor dá conhecimento do nascimento da ninhada e aí inicia-se o fornecimento gratuito de ração para a cadela e ninhada. Faz também parte do programa a desparasitação dos cachorros a cada 15 dias, assim como a sua vacinação e micro-chipagem às 8 semanas. Com 10 semanas de idade os cachorros são entregues aos novos proprietários e duas semanas mais tarde dá-se o reforço da vacina. Este é o último passo do programa, embora os cães sejam permanentemente acompanhados pelos responsáveis do programa. Em caso do abandono da pastorícia por parte do proprietário, o cão é devolvido ao programa e reconduzido para um novo rebanho.

Desde o inicio do Programa de Cão de Gado Transmontano os ataques de lobo, na zona do nordeste trasmontano diminuíram de 450 para 200 por ano, embora as alcateias se mantenham estáveis, e o valor das indemnizações pagas devido a ataques de lobos caíram de 70000€ para 20000€.

Ao mesmo tempo que este programa ia sendo implementado, deu-se início a concursos de Cão de Gado Transmontano para melhor divulgar, entre pastores, as características da raça e a sua utilidade. O primeiro concurso teve lugar um 1996 e contou com 20 participantes, em 1998 eram já 70 participantes, tendo-se mantido até á data na ordem dos 60/70 cães por concurso.


Cao de gado transmontano


É desta forma que o Parque Natural do Montesinho, ao aplicar uma simples medida de colocação de cães de guarda em rebanhos, para a conservação do lobo, contribui para que no dia 5 de Abril de 2004 o Cão de Gado Transmontano fosse reconhecido como a nona raça de cães Portuguesa.

Cão de gado transmontano

sábado, 5 de junho de 2010

Estalão provisório do Cão de Gado Transmontano

ORIGEM: Trás-os-Montes - Portugal

UTILIZAÇÃO: Cão de guarda e protecção de gado ovino e caprino

CLASSIFICAÇÃO: 2º Grupo, classe II Molossoides

BREVE RESENHA HISTÓRICA
A origem desta raça une-se à história de todos os mastins ibéricos e a sua evolução está ligada à rota da transumância na Península.

Companheiro do pastor com funções específicas de guarda contra o ataque do lobo, desde sempre prolífero na zona. Em épocas remotas, este cão fixou-se nas regiões altas de Portugal, nomeadamente em Trás-os-Montes.

Nesta região montanhosa, que se caracteriza por campos íngremes de pastos e de difícil acesso rodoviário, esta raça adaptou-se às condições da região e ao tipo de gado ovino e caprino que, tradicionalmente tem pastagem nestas áreas, evoluindo, até se fixar morfologicamente, em perfeita simbiose com as condições e o tipo de trabalho que lhe foi solicitado.

ASPECTO GERAL
Cão molossoide de grande tamanho, forte e rústico que se evidencia pelo seu aspecto imponente, porte altivo e olhar sóbrio. Tem o perfil lateral quadrado, com membros altos, de ossatura forte, naturalmente direitos e bem aprumados, ventre ligeiramente arregaçado e angulações posteriores moderadas.

Existe nesta raça dimorfismo evidente, atingindo os machos altura e corpulência nitidamente superiores às fêmeas.

PROPORÇÕES IMPORTANTES
Tem perfil convexilíneo e o corpo é mediolíneo com tendência a brevilíneo.
A relação de altura ao garrote e o comprimento do corpo é praticamente igual.

COMPORTAMENTO/CARACTER
Não obstante a sua corpulência é um cão de temperamento dócil, mas reservado.

É cauteloso sem ser agressivo, sempre calmo e com olhar sereno. É um excepcional vigia na sua função de guarda de rebanhos contra o ataque dos lobos, sempre atento nas suas funções de protecção.

Vive e convive com outros machos sem conflito, impondo a hierarquia da dominância quando habita em conjuntos onde existem fêmeas em idade de reprodução.

Os pastores preferem os machos e é natural vê-los juntos em número superior às fêmeas no acompanhamento ao rebanho, que nunca é feito só por um cão.

Confrontado com o contacto humano de estranhos e ultrapassada a reserva inicial, deixa-se manusear sem problemas e é muito sensível a bons tratos e atenções.

CABEÇA
Grande e maciça mas não demasiado volumosa em proporção ao tamanho do corpo, tem perfil convexilíneo com eixos superiores crânio-facias ligeiramente divergentes, tendendo a paralelos.

REGIÃO CRANIANA
Crânio: Moderadamente largo e pouco abaulado nos eixos, com tendência para plano. Arcadas supra-ciliares aparentes,

Stop: Depressão fronto-nasal moderada.

REGIÃO FACIAL
Trufa: Oval e grande, com narinas bem abertas de preferência negras ou escuras.

Chanfro: Ligeiramente mais curto que o crânio, tem faces laterais convergentes e trunca obliquamente. Transversalmente ligeiramente arredondado, tem perfil recto.

Lábios: Bem sobrepostos, de grossura regular, um pouco pendentes e ligeiramente arredondados, com comissura labial aparente e boca bem rasgada. As mucosas são bem pigmentadas de negro.

Maxilares: São fortes, bem desenvolvidos e bem musculados .

Dentes: Fortes e bem desenvolvidos. Dentição em tesoura.

Olhos: Não muito grandes e de formato amendoado, com irís castanha cor de mel ou mais escura. O posicionamento dos olhos é obliquo e semi-frontal. As pálpebras são pigmentadas de negro. O olhar é sereno.

Orelhas: São de tamanho médio, ligeiramente mais compridas do que largas, triangulares, de inserção média-alta (acima da linha dos olhos) com a ponta em bico arredondado e são bastante carnudas. Tem mobilidade de porte, sendo o mais comum o pendente, mas podendo repuxar ligeiramente e preguear na vertical. Quando em atenção levantam e dobram para a frente.

PESCOÇO
O pescoço é de tamanho médio, direito, forte e bem musculado. A barbela é aparente, mas é simples e não empapada. A pele do pescoço é bastante solta.

CORPO
Forte, sem ser demasiado volumoso, bem musculado. A altura ao garrote deve ser igual ao comprimento do corpo.

Linha Superior: Direita

Ombros: Bem inseridos na base do pescoço, com escápula comprida e angulação escapulo-úmeral media (110º).

Dorso: Curto, firme recto, amplo e bem musculado.

Garupa: De comprimento médio, moderadamente larga e inclinada.

Peito: Amplo e medianamente largo, bem desenvolvido com costelas moderadamente arqueadas. A caixa toráxica é volumosa mas não tem forma de barril. O peito desce até ao codilho sem o ultrapassar.

Linha Inferior e ventre: Ligeiramente ascendente no sentido esterno/ventre o que torna o ventre um pouco arregaçado.

CAUDA
Inteira e grossa, bem coberta de pelo, de inserção e tamanho médio, não ultrapassa o jarrete. Tomba em sabre, mas podendo apresentar curva na extremidade, em movimento o porte é alto, em foice, podendo mesmo enrolar.

MEMBROS
Membros Anteriores
Vistos de frente são fortes, compridos, direitos e paralelos.
Braço: Forte comprido e bem desenvolvido.
Antebraço: Comprido e vertical, com osso cilíndrico.
Codilhos: Bem aderentes ao peito, nunca discodilhados.
Carpo: A articulação é muito forte.
Metacarpo: Muito bem aprumado e quase direito.
Mãos: Fortes, volumosas e redondas, com dedos bem juntos e arqueados. Almofadas plantares grossas, altas e resistentes.

Membros Posteriores
Fortes e musculados, vistos de traz são paralelos. A angulação fémuro-tibial é moderada.
Coxas: Compridas e bem musculadas.
Pernas: Compridas e musculadas.
Tarso ou Curvilhão: Alto, largo e forte.
Metatarso: Proporcionado à altura dos membros e apresenta presunhos simples ou duplos.
Pés: Ovais ou mesmo arredondados.

PELE
De textura bastante grossa e solta na região do pescoço, onde forma barbela simples e no garrote; é bastante mais fina na cabeça do que no corpo.

PELAGEM
Grossa, de comprimento médio e abundante.

Pêlo: Liso e muito denso. O sub-pêlo existe e é evidente. Na região da cabeça, orelhas, focinho e membros o pêlo é mais curto e fino.

Cores: As pelagens mais comuns são as brancas malhadas de preto, de amarelo, de fulvo ou lobeiro, unicolores ou raiadas. Podem apresentar interpolação mosqueada no fundo do manto ou afogueado na região das faces e sobrolhos (tricolor).

ANDAMENTOS
Não obstante o tamanho e a corpulência, o andamento é ligeiro, enérgico, bem cadenciado e com amplitude de passo.

ALTURA
Machos: 74 a 84 cm
Fêmeas: 66 a 76 cm

PESO
Machos: 55 a 65 Kg.
Fêmeas: 45 a 60 Kg.

DEFEITOS
Qualquer desvio das características mencionadas deve ser considerado como sendo um defeito e penalizado de acordo com a sua gravidade.
Olhos amarelos
Pálpebras descaídas
Barbela excessiva ou dupla
Aprumos fracos ou muito inclinados
Ossatura fina
Comprimento excessivo do dorso (longilíneo)
Cauda com gancho
Chanfro ponteagudo e afunilado

DEFEITOS GRAVES
Cabeça muito volumosa
Eixos crânio-faciais convergentes ou excessivamente divergentes
Nariz cor de carne ou almarado
Orlas palpebrais despigmentadas
Chanfro demasiado curto
Crânio muito abaulado
Olhos grandes, redondos ou aflorados
Orelha de inserção baixa e excessivamente pequena ou fina de textura
Peito largo e descido abaixo do codilho
Caixa torácica em forma de barril
Pés e mãos espalmados
Pelagem pouco densa e demasiado curta no corpo
Ausência de sub-pêlo

DESQUALIFICAÇÕES
Dentição com mandíbulas apresentando prognatismo inferior ou superior. As cores preta ou branca unicolores.

Nota: Os machos devem sempre apresentar os dois testículos, de aparência normal, bem descidos e acomodados no escroto.Todo o cão que apresentar qualquer nível de anomalia física ou de comportamento deve ser desqualificado.

Este estalão é provisório pelo período de cinco anos a partir da sua aprovação.

retirado de: http://www.caodegadotransmontano.org.pt/
 
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